A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA: EIXOS DE (DES) ACORDO ENTRE PAUL VIRILIO E JEAN BAUDRILLARD
A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA: EIXOS DE (DES) ACORDO ENTRE PAUL VIRILIO E JEAN BAUDRILLARD
“Qual é o sentido desta transformação social causada pela
revolução tecnológica? A que nos conduz ela? Será mesmo que nos conduz a algum
lugar ou não mais é do que uma encruzilhada de caminhos que não levam a lugar
nenhum?”
Responder à estas questões foi o desafio proposto por esta UC – Sociedade em Rede – à Equipa Alfa, formada pelos Alunos do Mpel´15. A conclusão, a seguir, foi fruto de um debate realizado pelos estudantes ao confrontar entre uma visão tipicamente otimista – representada por Jean Baudrillard e outra pessimista – representada por Paul Virilio.
Paul Virilio e Jean Baudrillard foram filósofos contemporâneos que se preocuparam com as questões sociais do Virtual. O fosso geracional entre nós e eles, torna ainda mais extraordinária a atualidade dos seus pensamentos pelos quais se estuda e estudará, procurando compreender este fenómeno de Cibercultura. Para se concluir este grupo de estudo sobre os autores, debruçámo-nos nas respostas às questões-chave.
Para encontrar respostas para a 1ª parte reflexiva da questão 3, analisamos os dois autores em simultâneo. Baudrillard na sua obra, como bem conclui a Ma João, refere-se ao presente e Virilio alerta para o futuro, existindo “espaços temporais (aparentemente) distintos”. No entanto, a Selin refere pertinentemente que estas questões tecnologias são questões do nosso tempo, será então que o futuro de Virilio já chegou e o vivemos presentemente?
Como a Ma João refere, Virilio “alerta
para a aceleração do real e da realidade, para “um tempo instantâneo”, “um
tempo inabitável” e nesse já nós vivemos. Portanto o espaço temporal dos
autores é idêntico na era da Sociedade em rede, mas não o seria certamente, na
época em que ambos teceram as suas reflexões. Em relação às influências
mediáticas, Baudrillard considera que “a cultura de massa produz uma realidade
virtual”, a que ele apelida de Hiper-realidade, mas que de facto já não é só
produzida pelos média de massa mas construída por todos nós como refere a Ana,
à semelhança das redes sociais que hoje utilizamos. Para Virilio (Covas, 2018)
" o ciberespaço, um sexto continente, uma colónia virtual para escapar ao
mundo plano”, a Ma João conclui que “ na visão de ambos, há
efetivamente uma mudança de paradigma, a passagem de um estado a outro”.
Sobre a questão 2 sobre a imagem e a hegemonia cultural,
concordamos que os autores se focaram no impacto da “imagem” e dos
“média” na sociedade, precisamente por perceberem o impacto da televisão, da
imagem e da imprensa, ao longo da última metade do século passado. O poder dos
média produziu uma cultura hegemónica, mesmo sendo o telespectador passivo e
não é a toa que apelidam os média de 4º poder.
A Ana resume o papel da televisão desta forma “o
telespectador, refratário à mensagem, neutraliza a televisão pela inércia. A
televisão converte o homem, por seu turno, em observador passivo”. A tela não é
um espelho, não é reflexiva, mas superficial.” Agora na era da imersão, já não
se tem um papel passivo, somos produtores, compactuamos com as tendências, com
a “lei do menor esforço” onde se consume tudo pronto.
Como o Samuel bem refere, o “real” depende do indivíduo,
da “mundivivência e mundividência” e aí reside a esperança, que nos transporta
a Lévy, onde refere que nos devemos munir de “práticas, de atitudes, de modos
de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do
Ciberespaço”(1999,p.17).
Na questão 1 sobre o significado do “real” para os autores e os riscos da imersão virtual, já se conclui que para Baudrillard ao “real” não existe, só simulações que aparentam ser reais e são construídas por todos nós, a que ele apelida de Hiper-realidade. Virilio coloca a questão da realidade da seguinte forma “Lugar do não lugar de transmissão instantânea” (p.13) “tudo se joga no instante privilegiado do ato” (p33).Existe uma mudança de paradigma, os significados apresentam-se de outra forma e tal como a Ma João exemplifica, troca-se “a conquista do espaço pela imagem do espaço” ou “” transforma-se o amador na cousa amada”.
Para responder à derradeira questão: Podemos considerar
que a revolução tecnológica é um mal que veio por bem, ou um processo no qual o
desfecho depende da Educação? Não é tarefa fácil segundo a visão dos autores,
isto porque o discurso nem sempre é apropriado à evolução tecnológica, no
entanto nenhum dos autores considera a evolução tecnológica má. Virilio alerta
para os riscos do virtual e para os acidentes que ao ocorrerem agora, são
globais e com repercussões de igual dimensão.
Baudrillard preocupa-se que o “real” nunca mais terá
oportunidade de se produzir”, no entanto sugere que haja planificação e
atualização de forma consistente, que suportem a “ininterrupta expansão”,
portanto não vê o virtual como mau, mas como sistema a ser controlado para
minimizar a “ilusão de notícias e dados”, como refere a Ana. A
Selin vai mais longe, referindo que, “the flourishing of all our technologies
can be regarded as offspring that have arisen from the progressive extinction
of an unsignifiable reality”.
Concluindo, parece-nos que a revolução tecnológica é
positiva, os “acidentes” são parte integrante de qualquer invento, portanto
devemos estar conscientes de que devemos conseguir “ler” esta nova forma de
comunicação e interação. Ainda existem pessoas que não dominam a leitura e a
escrita, estando mais sujeitos a influências externas que nem sempre são
fidedignas, tal como existem inúmeras pessoas sem competências de literacia
digital. Estas últimas estão sujeitas às mesmas pressões, ilusões e influências
que os ditos analfabetos e numa Sociedade em Rede onde a Educação Aberta é
proposta, é inaceitável.
A Ma João conclui da seguinte forma,
“somos o produto de anos e anos de evolução, em que nos fomos adaptando ao
meio, talvez, no futuro, fiquemos mais cerebrais, mas o que acontecerá à nossa
fisicalidade?” A questão é essa, os milhares de anos de evolução tornaram-nos
no que somos hoje fisicamente e já percebemos desvios de comportamento, mas
intelectualmente evoluímos de forma francamente positiva. Nem tudo é mau, pelo
contrário, temos hoje mais inteligência coletiva para enfrentar as dificuldades
e combater aquilo que estes e outros autores nos têm alertado.
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Referências
Baudrillard, J. (1991) Simulacros e Simulação. Lisboa. Relógio
D´Água
Virilio, P. (1993) A Inércia Polar. Lisboa: D. Quixote


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