Educação e Sociedade em Rede - ESR
Foi nos proposto a análise e reflexão de alguns vídeos de Michael Lee Wesch, antropólogo cultural e ecologista de mídia. Wesch é professor de Antropologia Cultural da Universidade do Estado do Texas – KSU – e reconhecido internacionalmente pela sua liderança no que respeita à inovação nos processos de ensino-aprendizagem. Tem recebido vários prêmios ao longo da sua carreira e tem-se dedicado ao estudo da potencialidade dos média na Sociedade em Rede. No entanto são os seus vídeos que, enquanto objetos de estudo, têm tido maior impacto na comunidade educativa. A seguir tem-se um conjunto de postagens contendo os comentários-síntese da nossa Equipa Capa.
A REDE COMO INTERFACE EDUCATIVO
Nesse sentido, Wesch mobiliza os conceitos de “user-generated content" e de “user-generated filtering” para evidenciar de que forma esse produto chega aos destinatários, por força do envolvimento ativo da própria comunidade, que apelida de “user-generated organization”, sevindo-se do que chama de “user-generated distribution”.
Para melhor compreender esse fenómeno, interage Wesch, como membro ativo, através da webcam com essa comunidade, percebendo que o seu discurso se dirige a um público incógnito, em local desconhecido, fenómeno que denomina de audiência invisível, o que o obriga a questionar-se sobre a sua própria identidade, pelo que ela poderá revelar sobre o próprio, até porque ocorre num contexto inédito que ele apelida de "context collapse".
Em todo o caso, e numa visão aparentemente positiva, Wesch conclui que esse espaço virtual evidencia, por parte dos seus utilizadores, valores humanistas de partilha e entreajuda e que se revela como um espaço privilegiado para o reencontro com um determinado bem-estar.
Percebe-se que o autor defende que o YouTube permite o desenvolvimento do conhecimento coletivo, que se constrói pela comunicação mediada pelas novas ferramentas digitais, que acabam por transformar profundamente as relações sociais.
Neste sentido, aproxima-se do que Pierre Lévy defende, quando considera que a cibercultura permite a democratização e o acesso ao conhecimento.
Assim, este vídeo apresenta-se como um instrumento extraordinário para refletir sobre precisamente o impacto que o YouTube adquiriu na sociedade ligada pela internet, mobilizando conceitos que permitem compreender a sua natureza e papel. Num documento organizado de forma sequencial, conduz o espetador na observação desse fenómeno do YouTube, permitindo compreender como ele se constrói e que papel assume num novo paradigma social.
2. No vídeo The machine is (changing) us (Wesch, 2009), o autor reflete em torno do papel da Web 2.0 na configuração de uma sociedade de características próprias.
Wesch começa por apontar a perspetiva de Postman, que concluiu que, com o advento da televisão, a sociedade se parece ter deixado arrastar para um certo marasmo e alheamento. Esta conclusão decorre do facto de os media influenciarem as relações sociais e de que a mudança dos/nos media produz alterações na forma como nos relacionamos/comunicamos/interagimos (Media Ecology).
Considera que o facto de a televisão tradicional estar nas mãos de um grupo restrito de produtores de conteúdo pode ser apontado como responsável por esse alheamento do cidadão face ao mundo e seus problemas. De facto, Wesch aponta o poder dos media tradicionais.
É indiscutível que a livre informação é essencial para a existência de um sistema político democrático, no entanto sabe-se que interesses económicos, políticos e corporativos influenciam essa informação que se quer livre. Os media também influenciam a cultura, moldam as sociedades consoante os seus interesses e atuam como um meio de “afirmação da individualidade: o recurso pelo qual se constroem as identidades e que permite a cada indivíduo definir uma personalidade própria”, atuam na atribuição de status, em proporcionar prestígio e em reforçar as normas sociais (Lopes, s.d., p.5-24).
Com os novos media digitais essa influência não mudou, pelo contrário atinge um público muito mais vasto e tem maior proximidade. A homogeneidade cultural que existia até à Web 2.0 já não existe, pois agora é possível escolher, filtrar e evoluir de forma personalizada, no entanto para decifrar os media é necessário educar para os media, sendo que agora também é necessária a dita literacia digital. Enquanto houver quem não saiba "ler" os media, estes continuarão a exercer a mesma influência, mas agora à escala planetária. A identidade e a democracia estarão em jogo graças às fake news, que continuam a ser disseminadas e partilhadas, e aos interesses económicos que patrocinam as redes.
A perceção de que novos meios de comunicação emergem permite-nos acreditar em alterações significativas na cultura, sociedade e educação. Porém Wesch reconhece que as salas de aula do presente (2007) não ilustram ainda esse envolvimento social ativo e dinâmico que deseja(mos) mas tem a certeza de que a culpa não está nos jovens, pois estes provam essa capacidade de envolvimento sempre que lhes é dada a oportunidade de fugirem do anonimato a que a vida urbana (n)os vota.
O que fica evidente é que há a necessidade de um certo reconhecimento e afirmação de identidade, que cada um tem de construir. Alerta, porém, para os riscos, na medida em que essa busca por um eu autêntico (authentic self) conduz a um certo egocentrismo, ausência de engajamento cívico e à fragmentação social. Em todo o caso, o seu otimismo decorre, então, da convicção de que os novos meios de comunicação social permitem um novo modelo de interação social, mais colaborativo e promotor do autoconhecimento e da liberdade, como, aliás, se evidencia no vídeo Students helping Students (2010).
3. No vídeo Students helping Students (2010), o otimismo do autor decorre da convicção de que os novos meios de comunicação social permitem um novo modelo de interação social, mais colaborativo e promotor do autoconhecimento e da liberdade, como, aliás, se evidencia no vídeo e que prova a existência de solidariedade entre estudantes, mostrando que, contrariamente ao que por vezes se poderia pensar, os jovens de hoje correspondem a uma geração que, perfeitamente integrada com o digital, partilha dos valores humanistas e que o isolamento por vezes associado a essa vivência digital afinal não compromete os ditos valores humanistas.
É curioso notar que a palavra “communicare”, em latim, tem justamente o significado de partilhar, repartir, tornar comum, associar, sendo, assim, uma geração de jovens que comprovam ser possível ter uma comunicação empática seja ela virtual ou não.
4. No vídeo A Vision of Students Today, publicado por Michael Wesch, em colaboração com 200 estudantes da Universidade de Kansas State, em 2007, reflete-se sobre a perceção que os estudantes têm de como decorre o seu processo de ensino-aprendizagem, quais os seus sonhos, os seus objetivos e as suas expetativas.
Os mesmos referem que o seu processo de aprendizagem está desfasado da realidade em que se movimentam. Parece evidente que a presença daqueles jovens se faz antes sentir efetivamente na rede, que é onde se parecem mover de forma significativa e com destreza. Para além disso, constatam que a relação custo-benefício associada ao modelo tradicional carece de lógica. Finalmente há a conclusão de que o ensino, nos moldes tradicionais, não forma verdadeiramente para o futuro.
De facto, não parece haver dúvidas de que as metodologias tradicionais e expositivas, típicas do ensino presencial, estão ultrapassadas e são pouco motivadoras para os nativos digitais. A questão fulcral é perceber o porquê de estes estudantes terem maior nível de concentração, foco e motivação quando estão conectados em rede. Eventualmente a resposta tem que ver com a centralidade do aluno/indivíduo no processo de ensino-aprendizagem ou com a comunicação mediada por tecnologias. As redes permitem não apenas interação, mas também partilha e colaboração, onde a opinião de cada um contribui para um crescendo de interesse no tema, sendo ela valorizada. A pesquisa, reflexão e metacognição são elementos bem mais importantes e produtivos ao nível da construção de conhecimento e assimilação, do que a memorização exercitada ad aeternum nos modelos de ensino expositivo.
Assim não há hipóteses de se formar profissionais do futuro, que terão empregos ainda por "inventar", como referido no vídeo, quando se utilizam métodos do século passado.
O mais surpreendente é que, aproximadamente 15 anos após a realização deste último vídeo, ainda se está a debater a urgência de uma mudança do paradigma na educação, tal como Wesch fez em 2007. Assim, o referido vídeo vem mostrar a premente necessidade de adaptar e readequar as metodologias e métodos utilizados na escola à realidade em que os alunos se movimentam. De facto, se à data em que o vídeo foi feito esta já era a perceção dos alunos, pouco mudou de então para cá.
5. Neste vídeo, The machine is US/ing US o autor coloca-nos a questão sobre se estaremos a ser usados pela tecnologia (máquina) ou se a máquina somos nós. Aqui reflete-se sobretudo sobre a influência que cada um de nós tem no desenvolvimento das tecnologias ou da “máquina” em si. Wesch alerta para a nossa responsabilidade na questão da gestão e proteção de dados e para os desafios presentes na "máquina": autoria, transparência, identidade, questões éticas etc.
De facto, somos nós quem colaborativamente constrói a rede, pois os algoritmos existem para captar as nossas preferências e para nos manter ligados a uma ou mais comunidades. Mas também somos por ela usados sem que nos apercebamos, quando os algoritmos utilizam os nossos dados. Trata-se de um ciclo onde cada elemento necessita do outro. Nesse sentido, nós, que somos parte dessa comunidade ligada em Rede, somos também a própria Rede (a máquina!), ensinando-a e com ela aprendendo de cada vez que com ela interagimos. Uma vez mais, o autor se mostra profundamente otimista face às potencialidades do digital, que veio simplificar o processo da partilha de conteúdo pelo cidadão comum.
Wesch ainda se refere a alguns pontos significativos, nomeadamente quando menciona aquilo em que nos estamos a tornar enquanto "rede" e o que queremos na realidade: ser mais individuais, mas ansiando por um sentimento de comunidade; queremos ser mais independentes, mas ansiando por relações mais fortes; queremos mais comercialização, o que entra em contradição com a autenticidade. Assim, esta rede que construímos e a " máquina" que estamos a produzir e a alimentar com os nossos vídeos, likes, etc, faz com que sintamos uma "liberdade" alimentada pelo anonimato de não nos relacionarmos diretamente com as pessoas. A rede protege-nos, de algum modo, desse confronto. Assim, se por um lado esta rede alimenta o nosso conhecimento e o modo como nos ligamos virtualmente às pessoas, por outro lado obriga-nos a uma autoconsciência quando somos confrontados com a sua dimensão.
O autor conclui sua análise antropológica, do tema, apontando para duas contradições de se viver em uma sociedade em rede pois ao mesmo tempo, em que compartilhamos, trocamos e colaboramos, concomitantemente, devemos repensar sobre: direitos autorais, ética, identidade, privacidade e valores humanos.
A questão colocada como título do vídeo “The Machine is Us/ing Us”? É uma questão complexa que nos remete a duas frases escritas, respectivamente, por Pierre Lévy e Paul Virilio que tanto nos faz pensar:
Lévy, In Thomé, 2016
Virilio, 1999, p.89
#mpel #mpel15#educaçãoesociedadeemrede #esr #educação #rede #wesch
“{...segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos...}”
Zygmunt Bauman
Mas será que podemos ser 100% transparentes nas redes? Já sabendo-se que, de acordo com Lévy e Baudrillard, nossa vivência está cada vez mais submersa nesta Rede, sendo o ciberespaço ou hiperespaço, um prolongamento de nós seres humanos.
Consequentemente, autenticidade, verdade e transparência remetem para outros dois valores em que, o sociólogo e filósofo, Zygmunt Bauman nos faz rememorar e pensar, com a crescente virtualização das relações sociais, nesse mundo pós-moderno. E, assim, defende que existem dois valores fundamentais que são, definitivamente, imprescindíveis para uma vida com propósito e, relativamente, feliz: segurança e liberdade. Sendo que a ausência desses valores nos impossibilitaria da plenitude de uma vida digna “{...cada vez que você tem mais segurança, você entrega um pouco da sua liberdade e cada vez que você tem mais liberdade, você entrega parte da sua segurança. Não há outra maneira. Então, você ganha algo e você perde algo...}”
Sob o ponto de vista de Bauman, em suas próprias palavras, ele relata que o problema, é que ninguém ainda na história e no planeta, encontrou a “fórmula de ouro”, a mistura perfeita de segurança e liberdade.
Creio serem significativas as considerações do Profº Luís Mauro, Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP (Brasil), em uma amostra de suas palestras, em que ele narra: “{...sobreviver significa viver em sociedade, mas viver em sociedade também é um esforço para conviver com esse outro... viver com o outro, talvez seja o maior desafio do ser humano...viver com o outro significa em primeiro lugar ter uma abertura para a alteridade, ter uma abertura para aquilo que o outro tem e, essa abertura é muito rara e complexa...estar aberto para o outro significa reconhecer o outro como um eu, uma pessoa que é dotada das mesmas vontades, emoções, razões que você, mas que não é você e, que se considera tão digna de respeito e de compreensão quanto você. Na hora em que nós buscamos entender o outro como sendo um eu mas, que evidentemente, não sou eu, que está além do nosso controle, nós começamos a vislumbrar que é impossível se chegar a um conhecimento absoluto do outro porque para isso eu teria que ser esse outro e, isso é impossível, eu não posso abandonar o fato de que eu sou eu mas ao mesmo tempo eu começo a perceber que esse outro é muito parecido comigo...esse outro também tem as mesmas razões que eu, os mesmos afetos, e a partir daí, eu tenho uma pequena, mas importantíssima, abertura para essa alteridade quando percebo... que esse outro também é uma identidade em construção, muito parecida com a minha, uma identidade que merece o mesmo respeito, a mesma compreensão que eu espero para mim e, é nessa abertura que a gente pode talvez descobrir um universo incrível com o qual eu não sou obrigado a concordar mas que eu preciso pelo menos a aprender a ver que é o universo da alteridade}”.
Sob o ponto de vista do autor André Lemos, em seu livro A Tecnologia é um Vírus (2021), o capítulo “Rede e Utopia”, transmite uma inspiração para a percepção do que seria sobreviver em uma sociedade em rede e seus impactos nas relações sociais.
Por curiosidade, a origem da palavra “rede” vem do latim retis, do francês antigo réseuil, para designar tramas de fios entrelaçados, concebida inicialmente como algo exterior ao corpo. Sob a ótica de Lemos, ao se falar em rede, evoca-se um pensamento que busca a união apesar das diferenças, de contato, de conexão, que nos leva a conjecturar mundos possíveis (utopia) ao nos dar força para que as mudanças possam ser realizadas. Sabendo-se, é claro, que as mudanças tanto podem ser para o bem, assim como, para o mal. Assim o autor enfatiza que é nossa responsabilidade pensarmos sobre como é usada uma rede social, seja digital ou não.
E, ao nos recordarmos do fenómeno dos “rapazes chineses” que imitavam estrelas pop internacionais, na rede social YouTube, ao cantar a música I Want It That Way, nos remete a ideia de que ainda podemos ser engraçados, lúdicos, puros, de certa forma, transparentes e que nossa responsabilidade sobre o que é produzido na rede pode ser de partilha, de colaboração, de empatia, de alteridade, de inteligência coletiva.
Segundo, Levy – que se considera um otimista – fica o convite de que cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste espaço nos planos econômico, político, cultural e humano.
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Referências
Castells, M. (2021) A Sociedade em Rede. Edição revista e atualizada.
Lemos, A. (2021) A Tecnologia é um vírus. Pandemia e Cultura Digital.
Lévy, P. (2021) Cibercultura. São Paulo: Editora 34
Bauman, Z. O mundo pós-moderno: a condição do indivíduo.
Abril de 2020.
Retirado de URL: https://www.youtube.com/watch?v=V_xuCzHjBEs
Acedido a 09/12/2021
Mauro, Luís. Viver em sociedade é sobreviver. Casa do Saber
Retirado de URL: https://www.youtube.com/watch?v=Ik2Y0SMAQkM
Acedido a 18/12/2021
I Want It That Way. Sung By 2 Chinese Guys. 29/04/2011
Retirado de URL: https://www.youtube.com/watch?v=fD7BuKD2n_Q
Acedido a 07/12/2021
Como a Ma João refere, Virilio alerta para a aceleração do real e da realidade, para “um tempo instantâneo”, “um tempo inabitável” e nesse já nós vivemos. Portanto o espaço temporal dos autores é idêntico na era da Sociedade em rede, mas não o seria certamente, na época em que ambos teceram as suas reflexões. Em relação às influências mediáticas, Baudrillard considera que “a cultura de massa produz uma realidade virtual”, a que ele apelida de Hiper-realidade, mas que de facto já não é só produzida pelos média de massa mas construída por todos nós como refere a Ana, à semelhança das redes sociais que hoje utilizamos.
Sobre a questão 2 sobre a imagem e a hegemonia cultural, concordamos que os autores se focaram no impacto da “imagem” e dos “média” na sociedade, precisamente por perceberem o impacto da televisão, da imagem e da imprensa, ao longo da última metade do século passado. O poder dos média produziu uma cultura hegemónica, mesmo sendo o telespectador passivo e não é a toa que apelidam os média de 4º poder.
A Ana resume o papel da televisão desta forma “o telespectador, refratário à mensagem, neutraliza a televisão pela inércia. A televisão converte o homem, por seu turno, em observador passivo”. A tela não é um espelho, não é reflexiva, mas superficial.” Agora na era da imersão, já não se tem um papel passivo, somos produtores, compactuamos com as tendências, com a “lei do menor esforço” onde se consume tudo pronto.
Como o Samuel bem refere, o “real” depende do indivíduo, da “mundivivência e mundividência” e aí reside a esperança, que nos transporta a Lévy, onde refere que nos devemos munir de “práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do Ciberespaço” (1999,p.17).
Na questão 1 sobre o significado do “real” para os autores e os riscos da imersão virtual, já se conclui que para Baudrillard ao “real” não existe, só simulações que aparentam ser reais e são construídas por todos nós, a que ele apelida de Hiper-realidade. Virilio coloca a questão da realidade da seguinte forma “Lugar do não lugar de transmissão instantânea” (p.13) “tudo se joga no instante privilegiado do ato” (p33).Existe uma mudança de paradigma, os significados apresentam-se de outra forma e tal como a Ma João exemplifica, troca-se “a conquista do espaço pela imagem do espaço” ou “” transforma-se o amador na cousa amada”.
Para responder à derradeira questão: Podemos considerar que a revolução tecnológica é um mal que veio por bem, ou um processo no qual o desfecho depende da Educação? Não é tarefa fácil segundo a visão dos autores, isto porque o discurso nem sempre é apropriado à evolução tecnológica, no entanto nenhum dos autores considera a evolução tecnológica má. Virilio alerta para os riscos do virtual e para os acidentes que ao ocorrerem agora, são globais e com repercussões de igual dimensão.
Baudrillard preocupa-se que “o “real” nunca mais terá oportunidade de se produzir”, no entanto sugere que haja planificação e atualização de forma consistente, que suportem a “ininterrupta expansão”, portanto não vê o virtual como mau, mas como sistema a ser controlado para minimizar a “ilusão de notícias e dados”, como refere a Ana. A Selin vai mais longe, referindo que, “the flourishing of all our technologies can be regarded as offspring that have arisen from the progressive extinction of an unsignifiable reality”.
Concluindo, parece-nos que a revolução tecnológica é positiva, os “acidentes” são parte integrante de qualquer invento, portanto devemos estar conscientes de que devemos conseguir “ler” esta nova forma de comunicação e interação. Ainda existem pessoas que não dominam a leitura e a escrita, estando mais sujeitos a influências externas que nem sempre são fidedignas, tal como existem inúmeras pessoas sem competências de literacia digital. Estas últimas estão sujeitas às mesmas pressões, ilusões e influências que os ditos analfabetos e numa Sociedade em Rede onde a Educação Aberta é proposta, é inaceitável.
A Ma João conclui da seguinte forma, “somos o produto de anos e anos de evolução, em que nos fomos adaptando ao meio, talvez, no futuro, fiquemos mais cerebrais, mas o que acontecerá à nossa fisicalidade?” A questão é essa, os milhares de anos de evolução tornaram-nos no que somos hoje fisicamente e já percebemos desvios de comportamento, mas intelectualmente evoluímos de forma francamente positiva. Nem tudo é mau, pelo contrário, temos hoje mais inteligência coletiva para enfrentar as dificuldades e combater aquilo que estes e outros autores nos têm alertado.
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Referências
Baudrillard, J. (1991) Simulacros e Simulação. Lisboa. Relógio D´Água
Virilio, P. (1993) A Inércia Polar. Lisboa: D. Quixote
CIBERCULTURA – PIERRE LÉVY



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