Investigação em Educação
Paradigmas e Abordagens e Métodos de Investigação em Educação
Como entendo a investigação em Educação? Considero-me um investigador positivista ou pós-positivista
#mpel #mpel15 #uab #investigaçãoemeducação
Após explorar os diversos paradigmas percebi que a investigação em Educação filosófica pós-positivista, é a mais escolhida entre os investigadores, possivelmente, seu objetivo é apresentar novas conjecturas, com a finalidade de descobrir outras abordagens.
O
Pós-positivismo, é uma postura filosófica definida por alguns autores com
nomenclaturas diferentes mas, que apresenta a mesma postura crítica quanto aos
modelos de pesquisas científicas positivistas, observado que sua finalidade é
querer aperfeiçoar o positivismo, uma vez que, entendem que o conhecimento
humano é extremamente complexo, portanto, não é previsível nem fundamentado em
fatos incontestáveis mas, sim em hipóteses, em estudos com base na observação,
nas entrevistas e em estudos de casos, ao permitir que o investigador possa
desvendar novos enfoques.
Compreendo
que, essencialmente, na esfera da investigação em Educação, as atitudes, os
comportamentos e os valores apresentam ênfase em questões valiosas no processo
da investigação. Para um investigador da área de Ciências Sociais e Humanas,
constituíra uma tarefa desafiadora e complexa compreender a mente humana e suas
interconexões.
Na
dissertação de doutorado escolhida, reproduzo a seguir, o método de pesquisa
selecionado pelo autor que pude apreender que a investigação pós-positivista
pode ser mais a mais adequada na Educação: MÉTODO DE PESQUISA – “No que ao
campo da investigação educacional diz respeito, encaramos o estudo num
paradigma construtivista (Guba & Lincoln, 1981; Stake, 2012) de onde a
metodologia qualitativa se destaca como meio adequado para fazer germinar
informações preciosas. Permite que o investigador se aproprie das
representações idiossincrásicas dos sujeitos envolvidos, aproximando-o de uma
compreensão mais fiel dos fenómenos em estudo. Ao investigador é-lhe permitido
observar, descrever, interpretar e apreciar o meio e o fenómeno, tal como se
apresentam, sem a pretensão de os controlar (Fortin, 2003). Na Igualmente
conhecida por humanista-interpretativa (Almeida & Freire, 2003), a
perspetiva adotada é pautada por uma realidade dinâmica, fenomenológica e
associada à história individual e aos contextos”.
E, para
finalizar, veio a minha memória a célebre frase ‘só sei que nada sei’ que nos estimula a fazer perguntas e,
atualmente, a postura filosófica pós-positivista, que é a linha de
investigação que mais me identifico atualmente, sugere um olhar para as
mudanças essenciais que estão sendo praticadas nas investigações no âmbito da
Educação.
Não obstante
aprecio a utilização, em parte, da metodologia mista ao poder considerar
um mesmo fenómeno sob múltiplos pontos de vistas com a finalidade de enriquecer
o panorama das investigações.
O Processo de Investigação
Equipa E – Adelina Nogueira / Ana Maria Kruel / Maria João Alves
Após o visionamento de vários filmes e troca de impressões entre os pares, optámos pelo filme Entre os muros da escola, filme francês misto de documentário e ficção, baseado no livro do professor François Bégaudeau (também protagonista no filme), que retrata a vida de um professor de francês, diretor de uma turma, onde tem um grupo de filhos de imigrantes de uma escola na periferia de Paris. O enredo do filme assenta na problemática da indisciplina e na forma como os professores e direção lidam com essa indisciplina.
A indisciplina verificada nos mais variados
contextos escolares, compromete o sucesso escolar dos estudantes, com
repercussões para os próprios e para a sociedade em geral. A indisciplina leva,
simultaneamente, à exaustão de professores com consequente desmotivação e
degradação dos sistemas de ensino.
A indisciplina, constitui:
(...) um
fenómeno complexo , que se manifesta de diferentes modos e graus de intensidade, com génese em
múltiplos fatores de ordem social, familiar, pessoal e escolar e com
consequências diversas para alunos, professores, escola e comunidade, trata-se
pois, de um fenómeno que exige uma leitura compreensiva e holística que
contemple a multiplicidade de fatores
desencadeantes e a diversidade de manifestações associadas, bem como os
modelos de intervenção integrados e sustentados na literatura.
(Amado
& Freire, 2013; Espelage &Lopes, 2013; Lopes,2009; Sugai & Horner,
2002)
Importa pois aprofundar e analisar as causas do fenómeno da indisciplina em
contexto escolar, neste caso concreto tendo como refencial de estudo o filme “
Entre Muros da Escola” na sua complexidade e conhecer modelos de intervenção de
sucesso nesta problemática, bem como perspectivar estratégias de mediação de
conflitos e promotoras de interações positivas.
Justificação e importância para a prática profissional:
Enquanto docentes e formadores, somos frequentemente,
interpelados por comportamentos disruptivos dos nossos discentes/formandos que,
efetivamente, perturbam o funcionamento de sessões letivas, comprometem o
sucesso escolar e levam-nos à exaustão. Nesta conformidade, investigar estes
fenómenos, leva-nos a refletir as nossas práticas e pode melhorar o nosso
desempenho.
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Questões de investigação |
Objetivos da investigação |
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A dificuldade em gerir a indisciplina, em contexto de sala de aula, por parte dos professores, numa escola na
periferia de Paris, reflete-se nos resultados dos alunos?
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Quais as principais
causas da indisciplina e dos conflitos verificados em sala de aula numa
escola na periferia de Paris? Quais as razões para a
existência de conflitos entre alunos e professores? Como resolve a escola
os vários conflitos escolares? Qual o tipo de
intervenção que os alunos consideram mais eficaz, na gestão dos conflitos escolares? Quais as medidas a
implementar para conter a indisciplina/ comportamentos disruptivos em sala de
aula? |
1.
Identificar os
elementos potenciadores de conflitos e de indisciplina; 2.
Identificar as causas
da indisciplina e dos conflitos verificados em sala de aula; 3. Identificar medidas/ estratégias conducentes à mediação de conflitos e
ao combate/contenção à indisciplina. |
Estabelecemos o problema definido de forma mais
específica, como refere Coutinho (2013), uma vez que fornece informação
suficiente para compreender o que vai ser o estudo. Está formulada em forma de
questão, preenchendo um dos requisitos dos critérios definidos por Tuckmann
(2000).
Para clarificar e selecionar o problema iríamos
recorrer ao esquema modelo conceptual, uma vez que “é uma proposta complexa
de todas as variáveis e suas interconexões que explica um determinado resultado”
(Tuckmann, 2000:42).
A metodologia aqui aplicada seria o estudo de
caso, que se enquadra no paradigma interpretativo, dado que
“desempenha um papel essencial quando se
pretende gerar juízos de transferibilidade, responde mais adequadamente à
concepção de múltiplas realidades, aludindo às interacções entre investigador e
contexto e de outros factos que possam ocorrer ao longo da pesquisa e,
finalmente, facilita a comunicação entre os participantes, alimentando o
intercâmbio de percepções (Colás, 1992a).”
(Aires, 2015:22)
Referências
Aires,
L. (2015). Paradigma Qualitativo e Práticas de Investigação Educacional.
Universidade Aberta.
https://repositorioaberto.uab.pt/bitstream/10400.2/2028/4/Paradigma_Qualitativo%20%281%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o_atualizada%29.pdf (4 de dezembro de 2021)
Cantet,
L. (Diretor). (2008). Entre os Muros da Escola [Filme]. Sony Pictures
Classics/Imovision.
https://gloria.tv/post/MKnkneXCp3UX2Y8V38YSWYw8D
(4 de dezembro de
2021)
Carvalho,
M., Rosário, V., Alão, P., Cerqueira, M. Martins, M. & Magalhães, J.
(2016). (In)Disciplina na Escola: Para uma Prática Integrada e Sustentada de
Intervenção. Universidade Católica do Porto.
https://www.dge.mec.pt/sites/default/files/EPIPSE/in_disciplina_na_escola_para_uma_pratica_integrada_e_sustentada_de_intervencao.pdf (4 de dezembro de 2021)
Coutinho,
P. (2013). Problemas de investigação.
https://elearning.uab.pt/pluginfile.php/1783168/mod_resource/content/1/problemascoutinho0001.pdf (4 de dezembro de 2021)
Tuckman,
B. (2000). Formulação do problema.
https://elearning.uab.pt/pluginfile.php/1783169/mod_resource/content/1/Tuckmanproblema0001.pdf (4 de dezembro de 2021)
“Do ponto de vista epistemológico, nenhuma das duas abordagens é mais científica do que a outra (...) Uma pesquisa, por ser quantitativa, não se torna objetiva e melhor. Enfim, trata-se de duas abordagens com características bem distintas, mas ambas dentro do mesmo método científico."
Minayo & Sanches (1993) apud Serapioni, M.
Desafio 1
Inicialmente,
se faz necessário reconhecer sobre as vantagens e desvantagens dos diversos
métodos de pesquisa social, não tão somente, aplicadas à área de Educação, mas
no campo das ciências sociais de uma forma mais abrangente. As discussões sobre
os prós e contras sobre o método investigativo não são recentes, pois esse
debate existe desde o fundamento das ciências sociais.
Os pensamentos
positivistas e neopositivistas determinam como científicas apenas as pesquisas
fundamentadas na observação de elementos da experiência ao empregar aprimorados
instrumentos de mensuração. Logo, alegam que as metodologias qualitativas não
produzem efeitos confiáveis. Já os investigadores que adotam o método
qualitativo defendem que os teóricos positivistas, uma vez que não se colocam
no lugar do indivíduo, não conseguem investigações que sejam apropriadas.
Consequentemente,
nos últimos vinte anos se nota que tanto os investigadores dos métodos
quantitativos quanto qualitativos, cultivaram consistentemente suas críticas
uns com os outros, no entanto, percebemos que tanto as técnicas quantitativas
quanto as qualitativas têm suas potencialidades e limitações. As metodologias
de pesquisas são utilizadas com diferentes finalidades, por isso a vantagem da
integração desses dois métodos consistiria em retirar o melhor de cada um para
conseguir responder questões específicas.
Para além da
combinação de tipos de técnicas e dados, a literatura mais recente tem se
deparado com uma nova tendência: a utilização cruzada de um tipo de técnica
para analisar os dados de outra natureza.
Por sua vez, a
abordagem integrativa prevê a utilização de diferentes técnicas para analisar
um mesmo banco de dados. A ideia básica é garantir a complementaridade das
técnicas: utilizar as vantagens analíticas de cada perspectiva para produzir um
estudo mais robusto do que seria realizado de forma unilateral (apenas
quantitativa ou apenas qualitativa). (Paranhos, R. apud Small 2011).
Sabendo-se que
o objetivo da ciência é descrever, explicar, interpretar e predizer a realidade
caberia ao pesquisador maximizar a harmonia entre as coerências quantitativas e
qualitativas. Quanto maior o nível de sobreposição e/ou complementaridade dos
itens, maior será o nível de integração das diferentes técnicas de pesquisa. (Paranhos,
R. apud Yin 2006).
E, para
finalizar esta introdução seguem algumas características e especificidades de ambos
os métodos (Serapioni, M. apud Reichard & Cook).
Qualitativos:
(fenomenologia e compreensão) – análise do comportamento humano, sob a
perspectiva do autor, ao utilizar a observação naturalista e não controlada; são
subjetivos e estão perto dos dados (ponto de vista de dentro), orientados ao
descobrimento; são exploratórios, descritivos e indutivos; são orientados ao
processo e assumem uma realidade dinâmica; são holísticos e não generalizáveis.
Quantitativos:
(positivista lógico) – são orientados à busca da magnitude e das causas dos fenômenos
sociais, sem interesse pela dimensão subjetiva e usam procedimentos
controlados; são objetivos e distantes dos dados (ponto de vista externo),
orientados à verificação e são hipotético-dedutivos; adotam uma realidade
estática; são orientados aos resultados, são replicáveis e generalizáveis.
Estabilizado
resumo das diferenças de ambos os métodos investigativos, segue análise crítica
das vantagens e limitações, da metodologia do estudo de caso que,
inicialmente, compreendo que poderá atender às minhas futuras questões de
investigação.
É um método
qualitativo, que versa em uma configuração de aprofundamento de uma coesão
particular, para responder questões em que o investigador não contenha domínio acerca
do fenômeno pesquisado. As vantagens principais deste método admitem pesquisar o
progresso de um fenômeno presente, em determinado tempo, de forma profunda ao
empregar diversas fontes de evidência e, ainda, ponderar dados de natureza
quantitativa. Já as suas desvantagens apresentam restrições, como a falta de
possibilidade de generalizar o alcance dos resultados adquiridos com conclusões
específicas, para os estudos de casos estudados ao não admitir conclusões gerais.
Para ilustrar
o resumo da versão acima, destaco o parágrafo abaixo sustentado na literatura
sobre as vantagens do método.
“O estudo de caso tem vindo a ganhar popularidade
crescente na investigação educativa nos últimos anos a avaliar o aumento
crescente do número de projectos de investigação que utilizam esse método de
pesquisa (Yin, 1994). Este facto explica-se, sob o ponto de vista de Cohen
& Manion (1989) pela desvalorização da investigação desenvolvida sob o
paradigma positivista por parte significativa da comunidade de investigadores
em educação `que levou a que se desenvolvesse com o estudo de caso algo
parecido a uma indústria em expansão´(Coutinho & Chaves apud Cohen
& Manion).
Já acerca das
desvantagens, são assinaladas no subitem a seguir:
“O estudo de caso é um desses referenciais
metodológicos com grandes possibilidades para o estudo de muitas situações de
investigação em TE. Trata-se, contudo, de uma metodologia de investigação que
não é fácil de levar a cabo, abundando (infelizmente) no domínio `demasiados
estudos mal concebidos e implementados sob a designação genérica de
qualitativos, numa tentativa de se evitar definir e descrever métodos de
recolha de dados, de fundamentar pressupostos teóricos e até de descrever
claramente os resultados a que se chegou. (Coutinho & Chaves apud Savenye
& Robinson), razão porque são encarados por muitos com desdém (Coutinho
& Chaves apud Yin) para dar resposta a todos os problemas por
qualquer investigador (Coutinho & Chaves apud Vieira).
Após leitura
dos diversos modelos de investigação é inequívoco perceber que cada opção
metodológica traz vantagens e limitações.
Desafio 2
- Como é
que os docentes desenvolvem o trabalho colaborativo na escola X?
- Qual foi a
perceção dos professores da escola Z sobre o ensino remoto emergencial?
Estudo de
caso
“O
estudo de caso não é uma metodologia específica, mas uma forma de organizar
dados preservando o caráter único do objecto social em estudo”.
Goode
& Hatt, 1952 apud Coutinho. C & Chaves, J.
Através do
estudo de caso é possível investigar, profundamente, aspectos constitutivos a
partir de qualquer unidade social ao admitir que se organize todos os dados de
caráter social do objeto estudado, preservados de maneira íntegra sua natureza
e caráter. (Orsolini, A. & Oliveira. S apud Goode & Hatt, 1975).
Estudo
etnográfico
“...a
etnografia propõe-se descrever e analisar as práticas e as crenças de uma
cultura ou comunidade para as interpretar e compreender”
Amado
J. apud Freebody, 2003; Wolcott, 1993
“(...) o
objetivo da etnografia é a cultura de um determinado grupo, e o objetivo
principal da etnografia é a descrição e interpretação dessa cultura. Trata-se
de uma descrição densa em que o que se descreve inclui tanto o significado como
o comportamento”. Amado J. apud Wilcox & Wolcott, 1993.
Estudo
experimental
“Todos
os planos experimentais têm necessariamente um pós-teste, ou seja, uma medição
ao grupo experimental”. Schutt, 1999
Esta
metodologia experimental, sustentada no Paradigma Positivista, constitui o
modelo clássico da investigação quantitativa em CSH. Sendo que o pesquisador constitui
dois grupos de sujeitos, aplica a um dos grupos o experimento (que manipula) e,
ao outro grupo nada se faz, ou aplica-se um tratamento distinto que se denomina
como efeito placebo (Stern & Kalof; Vogt, 1999). O grupo que recebe o
experimento chama-se grupo experimental e o outro grupo, sem intervenção
alguma, é o grupo de controle. A validade dos planos de tipo experimental mais
referidos na literatura são: “aleatorização”, emparelhamento e controle
estatístico.
Investigação-na
/pela ação
“(...)
la investigación-acción é como una intervención en la práctica profesional con
la intención de ocasionar una mejora. La intervención se basa en la
investigación debido a que implica una indagación disciplinada”. Lomax,
1990.
Esta metodologia constitui-se como um
procedimento de grande complexidade, devido à multidirecionalidade e
coexistência dos seus objetivos; para a produção de conhecimento (objetivos de
investigação), para a introdução de mudanças (objetivos de inovação) e de
formação de competência nos participantes (objetivos de formação). Trata-se de
um processo coletivo que engloba investigadores e a sociedade em estudo. Amado
J. apud Esteves 1986.
A
pandemia, nos jovens em idade escolar, é um exemplo de imensa complexidade em
que esta metodologia poderia se adequar.
Penso,
igualmente, que a utilização dos métodos mistos, ao combinar as técnicas
quantitativas e qualitativas, num assunto tão complexo como a crise pandêmica,
poderia funcionar mesmo sabendo-se que são incomuns os trabalhos que usam a
abordagem multimétodo.
Revista Indagatio Didactica
Trata-se de uma revista on-line, dirigida a professores e formadores, que pretende proporcionar situações de comunicação entre os autores dos textos (investigadores, formadores e professores) e a generalidade da comunidade educativa, visando o desenvolvimento do espírito de indagação e ação críticas, pela descoberta de relações entre o conhecimento criado pelo autor do texto e o conhecimento dos leitores sobre as realidades com que convivem e em que atuam.
Conclusão-Síntese
Desde os tempos mais remotos, a
curiosidade e o interesse pelo comportamento humano é um assunto significativo
para estudiosos de diversas áreas do conhecimento. E, a área da Educação,
orientada pela sistematização e pelo rigor, também se beneficia deste extenso
conhecimento científico pois, é por meio da investigação que é possível
entender e explicar os fenômenos sociais, por aqueles que desejam aprofundar-se
na imensa complexidade de natureza cognitiva como um sistema dinâmico que tem como
premissa problematizar e refletir sobre as dificuldades presentes que,
naturalmente, vão permitir ter um debate produtivo além de abordagens enriquecedoras.
Os fundamentos teóricos da
Investigação em Ciências Sociais e Humanas, apresentam excelentes contribuições
no campo da Educação. Com o progresso das ciências cognitivas, existem cada vez
mais artigos científicos de grande qualidade que, através da investigação, é
possível a sistematização dos tipos de metodologias consideradas ideais em CSH[1].
“A Fenomenologia
(Phenomenon + Logos) é denotada como o discurso sobre aquilo como é. Ela busca
realidades, não como individualidades singulares, mas na “essência” (HUSSERL,
2006). Ou seja, procura entender os discursos sobre o que e como se mostra em
todos os aspectos: históricos, sociais, políticos, sentimentais e da vivência
do homem”
(as cited in Buffon,
A.; Martins, M.; Neves, M., 2017)
Sendo, portanto, que atividade
proposta da disciplina de Investigação em Educação, teve como objetivo
consultar os resumos da revista Indagatio Didactica e selecionar os
artigos publicados, em seu repositório, no ano de 2019. Neste ano, a revista
recebeu quatro edições com a publicação de cento e um artigos.
A partir desta análise, foram
identificadas as investigações pelo tipo de metodologia: estudos quantitativos
dos tipos descritivos ou não experimentais, correlacionais e experimentais;
estudos qualitativos (natureza fenomenológica) dos tipos estudos de caso,
investigação-ação e estudos etnográficos e, por último, os estudos mistos. Os
tipos de metodologias mais selecionadas pelos investigadores, destas edições,
foram os Estudos de Caso com 42 artigos seguido Investigação-ação
com 36 artigos, sendo que os demais tipos representaram menos de 20% desta
amostra.
Portanto, aproximadamente, em 80%
dos trabalhos, optou-se por usar os Estudos Qualitativos de natureza
fenomenológica, sinalizando uma tendência ocorrida, no ano de 2019, nestas
publicações. Por esse motivo, foram descritos e analisados esses dois tipos de
metodologias de investigação com uma ênfase maior aos Estudos de Caso pela sua
ocorrência. Além disso, conclui-se que ao explorar um volume significativo de
artigos na revista percebeu-se o uso da análise de conteúdo, definida por
Bardin, um dos mais renomados autores do assunto, como:
“um conjunto de instrumentos
metodológicos cada vez mais sutis em constante aperfeiçoamento, que se aplicam
a discursos (conteúdos e continentes) extremamente diversificados. O fator
comum destas técnicas múltiplas e multiplicadas - desde o cálculo de
frequências que fornece dados cifrados, até à extração de estruturas
traduzíveis em modelos é uma hermenêutica controlada, baseada na dedução: a inferência.
Enquanto esforço de interpretação, a análise de conteúdo oscila entre os dois polos
do rigor da objetividade e da fecundidade da subjetividade. Absolve e cauciona
o investigador por esta atração pelo escondido, o latente, o não-aparente, o
potencial de inédito (do não-dito), retido por qualquer mensagem” (Bardin,
Laurence. Análise de Conteúdo. p. 9, 1997).
Estudos Qualitativos
É importante sinalizar que a
investigação qualitativa (interpretativa) é de difícil formalização, tanto
levando-se em conta os instrumentos quanto a conduta dos investigadores pois, é
crítico constituir um conjunto de regras que são integralmente aplicáveis em
todos os contextos de pesquisa (Coutinho, 2019). Na investigação qualitativa a
finalidade é entender os fenômenos em seu conjunto e no contexto em que acontecem,
pois pode ocorrer que só se reconheça o âmago do problema somente após dar
início a pesquisa ou o trabalho de campo; conforme são feitas as observações e
entrevistas, são identificados os mais importantes assuntos e padrões que então
passam a ser o foco da atividade do investigador e o propósito de observações
mais claras e sistematizadas (Coutinho, 2019).
Na caracterização da investigação
qualitativa, enfatiza-se que o problema dá início por ser uma descrição do
objetivo da pesquisa, em que a seleção da amostra dos participantes deve ser
sempre intencional; as técnicas para recolha de dados como observações,
entrevistas e demais documentos têm como consequência, necessariamente, a
dependência das capacidades
interpretativas do investigador (Coutinho, 2019).
Estudo de Caso
O uso de metodologia de
investigação qualitativa, de natureza fenomenológica, do tipo “Estudos de
Casos” utilizados, como método de pesquisa, entre os estudiosos em CSH nos
últimos anos é bem expressivo pois, é um dos referenciais metodológicos com
potencialidades imensas para o estudo da diversidade de problemáticas que se apresentam
ao cientista social (Coutinho, 2019). No entanto, é um método que tem recebido
várias críticas de seus opositores devido, lamentavelmente, terem surgidos
diversos estudos mal concebidos e implementados, devido a sua designação generalizada
em que se aborda que tudo poderia ser considerado como estudo de caso,
com a intenção de se desviar e descrever métodos de recolha de dados, de basear
pressupostos teóricos e até mesmo de descrever com nitidez os resultados que se
atingiu (Saveneye&Robison,1996, p.1171 as cited in Coutinho, 2019).
É interessante reforçar que esta análise,
realizada pelos autores citados acima, corrobora o fato da abundância de
estudos de caso sendo usados como referenciais metodológicos, visto a
confirmação da apreciação dos artigos da Indagactio Didactica, não obstante
que, aproximadamente, 42% dos trabalhos da Revista, em 2019,
terem escolhido os estudos de casos como meio de investigação. Embora, seja
necessário esclarecer que em nenhum momento desta análise é feito um julgamento
sobre a qualidade (ou não) final destes estudos.
Tendo como referência os dois especialistas
Robert Yin e Robert Stake, que são os investigadores mais proeminentes do tema acerca
dos estudos de caso, é de considerável valor analisar os seus próprios
critérios para avaliar se determinada pesquisa pode ou não ser classificada
como um estudo de caso.
O estudo de caso como
estratégia de pesquisa é caracterizado justamente pelos interesses em casos
individuais e não pelos métodos de investigação, que podem ser variados, tanto
qualitativos, quanto quantitativos, contudo, Stake assinala de que nem tudo
pode ser classificado como sendo um estudo de caso, assim sendo, contribui para
a identificação do que poderia constituir como um caso. Para o autor, um caso é uma unidade
específica, um sistema delimitado cujas partes são integradas e chama a atenção
para que algumas peculiaridades podem estar dentro do sistema, nos limites do
caso, e outras fora, deste modo nem sempre é intuitivo para o investigador descrever
onde finaliza o indivíduo e dá início ao contexto (Skake,
p. 436 as cited in Mazzotti, A.J.,2006).
Já de acordo com a perspectiva de
Robert Yin, é realçada o reconhecimento do tipo de questões recomendadas para
caracterizar os estudos de caso de outras modalidades de pesquisa em ciências
sociais, ao garantir que, a estratégia empregada quando as questões de
interesse do estudo dizem respeito ao como e ao porquê, quando o
pesquisador tem pouco controle sobre as ocorrências e quando o foco se orienta
a um fenômeno contemporâneo em um contexto natural (Skake, p. 436 as cited
in Mazzotti, A.J.,2006).
Em síntese, Brewer e Hunter
(citados em Punch, 1996, p. 152) sugerem seis categorias de caso passíveis
de serem estudados na investigação em Ciências Sociais e Humanas: indivíduos,
atributos dos indivíduos; ações e interações; atos de comportamento; ambientes,
incidentes e acontecimentos; e ainda coletividades (Coutinho, 2019).
Já os estudos Investigação-ação
representaram, por volta, de 35% da amostra, portanto, acredita-se que, para
concluir essa síntese, são válidas algumas interpretações, a seguir.
“{...na trilha dos princípios
filosóficos de Jurgen Habermas sob os quais uma investigação deve sempre conter
em si uma intenção de mudança, este paradigma faz também incidir o seu foco
sobre o conhecimento emancipatório, que pretende pôr a nu as ideologias que
condicionam o acesso ao conhecimento e operar ativamente na transformação dessa
realidade” (Coutinho, 2005 as cited in Coutinho, 2019).
A expressão “investigação-ação” (action
research), nomeada por Kurt Lewin, exprime alguma ambiguidade de sentidos
que a torna, senão polémica, pelo menos polissêmica. Simões (1990:41) enumera
as principais acepções de investigação-ação, baseado em Dubost (1983): “uma
estratégia de investigação, no campo científico; uma estratégia de ação,
desencadeada, quer por instâncias do poder, quer por grupos dominados; uma
estratégia de existência, uma conduta global expressiva; uma estratégia de
análise social, com objetivos de elucidação” (Amado, J. 2014).
A Investigação-ação, mostrou ser
muito apropriada nos estudos na área de Ciências Sociais, e especialmente, na
Educação (Coutinho, 2019).
Assim foi notório perceber a sua
influência nos artigos estudados da Indagctio Didactica. De toda a
forma, enfatiza-se ter sempre em mente que não existe uma metodologia ideal e
que todas apresentam suas vantagens e desvantagens. As metodologias de pesquisa
devem ser fundamentadas na declaração de objetivos, percebendo que eles são
propostos em termos de expansão de conhecimentos pré-existentes sobre um
problema ou reconhecimento de novos fenômenos. Não à toa a palavra método vem
do grego, methodos, composta de meta: através de, por meio, e de hodos:
via, caminho.
Referências
Coutinho, C. & Chaves, H. (2002). O estudo de caso na investigação em Tecnologia Educativa em Portugal. Revista Portuguesa de Educação 15 (1), pp.221-243 – Universidade do Minho.
Latorre, A. (2008). La investigación-acción.
https://elearning.uab.pt/pluginfile.php/1783195/mod_resource/content/1/latorre.pdf
Serapioni, M. (2000). Métodos qualitativos e quantitativos na pesquisa social em saúde: algumas estratégias para a integração.
https://doi.org/10.1590/S1413-81232000000100016
Paranhos, R. et al. (2016). Uma introdução aos métodos mistos.
https://doi.org/10.1590/15174522-018004221
Orsolini, A. & Oliveira. S. Estudo
de Caso como Método de Investigação Qualitativa: uma aborgagem bibliográfica.
Pereira Coutinho. Estudos Qualitativos.
https://elearning.uab.pt/pluginfile.php/1783188/mod_resource/content/1/PCpreexperimentais0001.pdf



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